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FESTAS TRADICIONAIS
2005-04-23 19:53
FESTA DA PRIMAVERA DA CHINA

Como o Natal para o Ocidente, a Festa da Primavera é a o evento mais importante de todo o ano para os chineses. Com o passar do tempo, a gente chinesa tem registrado mudanças tanto no conteúdo como na maneira daquela importante festa. Porém, sua posição continua sendo insubstituível na vida e ideologia dos chineses.

Dia 9 de fevereiro de 2005 assinala a Festa da Primavera, segundo o calendário lunar chinês. Consta que a Festa da Primavera da China já tem 4 milênios de história. Em mais de 2100 anos A.C, a gente de então definiu o tempo que o Júpiter leva para dar uma volta como um "sui" (ano), a Festa da Primavera sendo por isso chamada como o "sui". Até em mil anos A.C, a gente passou a defini-la com "nian". Naquele tempo, o "nian" significava a colheita de grãos. Boa colheita era manifestada com "ter nian" e grande colheita, com "ter grande nian".

Segundo os hábitos folclóricos chineses, a Festa da Primavera dura três semanas, começando no dia 23 de dezembro e terminando no dia 15 de janeiro, considerado como "Festa de Lanternas", ambos segundo o calendário lunar chinês. Neste período, a noite do dia 30 de dezembro e o ano novo são os mais importantes.

Em diversos lugares do país, a gente tem diferentes hábitos tradicionais quando passam a Festa da Primavera. Porém, às vésperas do ano novo, todas as famílias têm que reunir-se e celebrar a festa juntos. Isto é indispensável tanto no norte como no sul do país. No sul, na mesa do jantar do dia 30, sempre há dezenas de pratos, inclusive doufu e peixe, pois cujos homófonos significam o "enriquecimento" em chinês. E no norte, todos os membros da família costumam fazer raviólis, juntos em casa, e sentam à mesa degustando diferentes pratos, em atmosfera cheia de alegria e ânimo.

Entre os tradicionais alimentos da festa, há bolo do ano novo e tangyuan e yuanxiao (bolinhas de farinha de arroz glutinoso), que simbolizam a elevação do nível de vida e a felicidade da família.

Às vésperas do ano novo, toda a gente gosta de velar como hábito tradicional. Nesta noite, a gente despede o ano velho e acolhe o ano novo, em ambiente de alegria. No passado, com a chegada do ano novo, a gente costumava soltar bombinhas para celebrações. Este hábito, que significa a expulsão das maldades, passou a ser proibido em Beijing e algumas outras grandes cidades, por motivo da segurança e poluição. No primeiro dia do ano novo, toda a gente usa novas roupas, ou recebendo hóspedes ou fazendo visitas. Caso houvesse certos mal-entendidos, ou entre parentes ou entre amigos, poderiam ser eliminados com a troca de cumprimentos durante a festa.

São ricas as atividades durante a Festa da Primavera. Nas zonas rurais, vêem-se, por toda a parte, óperas locais, danças de leões, yangge, danças com pernas de pau e diversas feiras. É claro, muita gente prefere ver a televisão em casa, pois essa tem muitos programas atraentes.

Colar dísticos e pinturas e acender lanternas fazem parte das celebrações durante a festa. A par com a elevação do nível de vida, a gente continua mantendo a tradição, enquanto desenvolve novas atividades, por exemplo, ou patinagem no campo, ou jogo por internet em casa. Além disso, o turismo no exterior já se tornou nova moda dos chineses. Segundo fontes oficiais de Beijing, o turismo de famílias durante a festa vem expandindo-se anualmente.
A China é um país multinacional, com 56 etnias, inclusive 55 minorias étnicas. Elas têm diferentes línguas e diferentes modos de vida e hábitos, mas tomam a Festa da Primavera como seu próprio grandioso evento.



FESTA PARA PEDIR ENGENHO----Dia 7 de Julho

No dia 7 de Julho de cada ano, os chineses comemoram uma festa muito popular: Festa para Pedir Engenho. Segundo uma tradição, é o dia do encontro anual do Pastor e da Tecelã.

Nos tempos muitos remotos, o céu era azul muito azul, sem nenhuma sombra de nuvem. O Imperador celestial sentia a vida muito solitária, monótona, e ordenou que as suas 7 filhas fiassem algodão e tecessem panos para fazer um vestido para o céu. Mas, os panos feitos pelas filhas eram de cores branca e cinzenta, de forma que o céu continuava pálido e monótono.

A caçula, isto é, a sétima filha do Imperador Celestial, foi uma rapariga genial. Inspirada pelas flores de sete cores do jardim, ela teve a ideia de tecer panos coloridos. Tingiu os fios com as sete cores das flores. Seus esforços foram recompensados, pois conseguiu finalmente tecer um pano lindíssimo de sete cores. As irmãs ficaram admiradas e todas decidiram vestir o céu de roupa feita com pano branco nos dias de sol, de roupa feita com pano cinzento nos dias de chuva, e de roupa colorida ao nascer e ao por do sol. Ao ver esta mudança agradável, o Imperador Celestial nomeou a caçula de "tecelã".
Desde então, a tecelã passou a tecer todos os dias. Quando ficava cansada e parava de trabalhar, contemplava o mundo, lá embaixo. Uma vez, ela percebeu que um rapaz sempre cultivava a terra e nos intervalos, conversava carinhosamente com o um velho boi. A rapariga sentia piedade do rapaz.
O rapaz era o Pastor. Um dia, o velho boi disse-lhe: "Amanhã é dia 7 de Julho, as sete filhas do Imperador Celestial vêem à terra tomar banho. Você pode apanhar e esconder as roupas de uma das sete e casar-se com ela." O rapaz aceitou a proposta com muito grado.

No dia 7 de Julho bem cedo, o Pastor escondeu-se no à espera da chegada das meninas. Não passou muito tempo até as sete filhas do Imperador Celestial, montadas cada uma numa nuvem colorida, desceram do céu para a beira do rio onde, tiradas as roupas, saltaram para as águas cristalinas.

O pastor não perdeu tempo, correu para lá, apanhou as roupas de uma delas e correu. E como corria com muita pressa, o barulho que fazia com o junco espantou as meninas. Todas elas subiram à margem e seis delas encontraram suas roupas, vestiram-se e voaram para o céu. A única que ficou sem roupa foi a caçula, a tecelã. Embaraçosa à margem do rio, ela não sabia o que fazer. Então, o pastor foi ter com ela , dizendo-lhe gaguejando:
"Se você quiser casar-se comigo, posso devolver a roupa."
Vendo que era o rapaz de que gostara, a sétima filha do Imperador Celestial cedeu ao pedido.

À noite, os dois realizaram a cerimônia nupcial, tendo o velho boi como casamenteiro. Em dois anos, a tecelã deu à luz um filho e uma filha, e os dois levavam uma vida feliz, enquanto a esposa tecia, o marido cultivava a terra.
Sete anos passaram no mundo e sete dias passaram no céu, pois cada ano do mundo humano eqüivale a um dia do céu. E no céu, o Imperador Celestial dava uma audiência às suas filhas a cada sete dias. Percebendo a ausência da caçula que havia casado com um homem da terra, ele não se conteve a fúria e mandou um de seus generais buscá-la.

Foi justamente no dia 7 de Julho que o general do Palácio Celestial levou à força a tecelã para o céu.

Vendo que a querida esposa foi levada à força para o céu, o Pastor, aflictíssimo, pegou uma vara, amarrando uma cesta em cada extremidade dela para carregar respectivamente os dois filhos, partiu apressadamente para alcançar a mulher. O velho boi ajudou, tirou um dos chifres e transformou-o num barco que levou o pastor e os seus dois filhos para o céu. Os meninos chamavam a mãe, e esta lutava para livrar-se do general para encontrar-se com o marido e os filhos. Nessa altura, apareceu o Imperador Celestial. Ele estendeu a mão e desenhou no céu um caudaloso rio entre a tecelã e o pastor e os dois filhos. Os chineses chamam este rio como Rio de Prata, que é a Via Láctea dos ocidentais.

Também nesta altura, multidões e multidões de pegas e outros pássaros formaram uma ponte sobre o Rio de Prata para facilitar a união dessa família. Sem outra alternativa, o Imperador Celestial acabou por permitir que a Tecelã se encontrasse com seu marido e seus filhos na Ponte das Pegas, mas apenas uma vez por ano, no dia sete de Julho.

Para os chineses, a estrela Altair, num lado da Via Láctea, é o Pastor, e a estrela Vega, no outro lado, é a Tecelã.

Nesse dia, as meninas chinesas com sete linhas de cores diferentes e uma agulha, pediam engenho à tecelã. Quem consegue enfiar uma por uma as linhas na agulha, será uma menina engenhosa. Segundo dizem, as meninas, sentadas sob a videira do pátio, podem ouvir as palavras confidenciais entre o pastor e a tecelã.


FESTA DE DOBRE NOVE

A festa de Dobre Nove, que se celebra dia 9 de setembro do calendário lunar, este ano dia 22 de outubro, é uma ocasião tradicional para ir à montanha, levar a artemísia e admirar os crisântemos.

Esta festa está relacionada com a numerologia. Desde a antigüidade, os números têm sido considerados como algo misterioso. Os chineses de então seguiam os dois princípios que regiam o universo, o Yin e o Yang, para classificar todo o existente, incluídos os números.

Como o nove é um número Yang, o 9 de setembro se sobrepõe dois Yang, o dia e o mês, daí que a festa se denomine também Dobre Yang.

Esta festa se remonta à dinastia Han do Leste (25-220), época em que Huan Jing estudava o taoismo com Fei Changfang, um sacerdote taoista.

Um dia o mestre predisse a seu discípulo que dia 9 de setembro ia produzir-se uma catástrofe. A única maneira de evitá-la seria levar às costas uma bolsa com artemísia e refugiar-se num lugar elevado.

Desde então, o costume de ascender, dia 9 de setembro do calendário lunar, a um lugar elevado levando uma bolsa com artemísia estendia-se e transmitia-se até chegar a nossos dias.

Apesar da superstição que rodea a esta data festiva, percebe-se na gente uma sincera esperança na vida.

A ascensão a um lugar elevado tem sua origem na oferenda de sacrifícios ao Deus do Céu, que levavam a cabo as etnias minoritárias do norte da antiga China antes de sair de caça.

Os intercâmbios culturais entre as nacionalidades fomentaram a transmissão deste costume ao centro da China e sua transformação na festa nacional de Dobre Nove ou Dobre Yang.

Embora a artemísia careça da virtude mágica de prevenir os males, esta planta medicinal caracterizada por seu intenso perfume é um eficaz repelente de mosquitos e outros insetos.

A época em que se celebra esta festa coincide com o florescimento dos crisântemos.

Por esse motivo, em muitas cidades se celebram grandes exposições desta flor, que tem valores medicinais: de fato, tomada com o chá, não só ilumina o coração e purifica os olhos, como ainda que faz bem a saúde.
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